Argentinos, franceses e uma paulista apresentam seus trabalhos nos teatros do Parque e Hermilo Borba Filho. Programação começa com debate às 16h, no Espaço Compassos
Olívia Mindêlo
A noite de hoje do 13º Festival Internacional de Dança do Recife (FIDR), que termina no próximo domingo, é uma reunião dos três idiomas “oficiais” do evento este ano, ouvidos com freqüência nas filas dos teatros, nas coxias e nos debates pelos participantes convidados. O espanhol portenho do coreógrafo Edgardo Mercado sobe ao palco do Teatro do Parque (Rua do Hospício, Boa Vista, 19h), materializando-se nos corpos de três bailarinos, que se dividem em dois trabalhos. Já o francês de Lyon entra em cena no Teatro Hermilo (Cais do Apolo), mesmo local onde se apresenta o português paulista de Gíria Amorin, a partir das 22h.
Além da linguagem do movimento, traduzida por diferentes nações, o que os une é a assinatura autoral, feita de forma independente. Não há um grupo ou uma grande companhia na programação desta quinta, mas iniciativas autônomas que trilham caminhos particulares e experimentais pela dança contemporânea. O coreógrafo argentino Edgardo Mercado, por exemplo, varia o elenco e a estrutura de seu trabalho ao sabor de cada projeto que realiza. Para cá ele traz dois espetáculos (Tierra de Mandelbrot e Plano difuso) que dialogam entre si e integram uma trilogia cuja última parte (Argumentos em favor de la obscuridad) não foi aceita para o festival.
Ambas as montagens, com 51 minutos no total, funcionam quase como um só trabalho. Aliás, é assim que o argentino prefere apresentar – juntas, sem intervalo. Na primeira, entra em cena duas bailarinas e um violinista. Na segunda, um solista. Mercado não “baila”, só dirige e coreografa. Nas duas encenações, a dança entra em interface com a música (um mistério) e o vídeo, linguagens reforçadas por um tratamento plástico. “O meu trabalho tem uma característica: é como se fosse uma instalação dentro de uma sala”, descreve o coreógrafo, que era matemático e entrou para dança só aos 29 anos (hoje tem 43). A herança desse tempo pode ser vista em sua assinatura artística, com base na geometria. Esta é a primeira vez que ele vem ao Brasil a trabalho. Os espetáculos já foram apresentados na França, no México, nos Estados Unidos e, claro, na Argentina.
No Hermilo, a programação de hoje do FIDR se inicia, caso não haja atrasos, às 22h, com o solo Relevo inverso, por Gíria Amorin, que já ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), por pesquisa em dança. Seus movimentos partem da idéia do obstáculo e duram 15 minutos. Em seguida, o trabalho francês Barroco (25 min.) exibe um jogo de dança e sons no local.
Antes dos espetáculos, às 16h, rola bate-papo com o coreógrafo Cláudio Lacerda no Chá com Arte/Dança Falada, no Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93, 1º andar, Bairro do Recife). Ingressos: R$ 5. O debate tem entrada franca.
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