Tatiana Meira
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Dois coreógrafos com vasta experiência no universo da dança foram convidados para assumir as criações do projeto O solo do outro deste ano. Uma das prioridades do Centro Apolo-Hermilo desde quando foi lançado, em 2002, O solo do outro se propõe a colocar em contato intérpretes e criadores que nunca tenham trabalhado juntos, dando condições para o surgimento de novas obras coreográficas. Em 2008, a pré-estréia do projeto ocorre dentro da agenda do 13º Festival Internacional de Dança do Recife, em dois momentos: hoje, às 20h, com Deserto aresta, e no sábado, no mesmo horário, com Feminino é o meu olhar, ambos no Teatro Hermilo Borba Filho. A estréia oficial, quando os solos entram em curta temporada, será no dia 23 de outubro.
A arquitetura desconstrutivista e a obra do pintor russo Malevich serviram como ponto de partida para que o coreógrafo Cláudio Lacerda imaginasse os movimentos de Deserto aresta, dançada pela bailarina Juliana Siqueira. Deacordo com Cláudio Lacerda, a sensação de estranhamento e deslocamento proporcionada pelas imagens de obras desta corrente da arquitetura o impressionaram e mobilizaram para o desafio de transpor determinados aspectos para o corpo. "São mídias completamente diferentes e fui improvisando a partir das distorções de limites, formas simultâneas, curvas complexas", acrescenta ele. Na trilha sonora, estão sons captados na área de uma construção, como um martelo batendo no metal. O fato de Juliana Siqueira ter a formação em balé clássico, segundo Cláudio Lacerda, fez com que ela respondesse bem às necessidades do solo, como a de isolar certas partes do corpo, como troncos e braços, para desconstruir o movimento a partir disto.
Já Feminino é o meu olhar é protagonizado por Renata Muniz, a partir da coreografia de Luiz Roberto da Silva, na qual ela assina como assistente. Em cena, um dia na vida de uma mulher que simboliza as figuras femininas com as quais o coreógrafo convive e conviveu ao longo de sua existência, entre a família e as amigas. "Me apropriei das diferentes facetas, gestos e maneiras de se comportar delas, ao acordar, arrumar a casa, cozinhar, se divertir. Da obstinação para o trabalho, da sensualidade, da força e da delicadeza", conta Luiz Roberto, que ingressou na carreira há 26 anos, integrou a Cia dos Homens e trabalhou como bailarino e coreógrafo em São Paulo, Salvador e nos Estados Unidos.
Agenda - Na programação do Festival de Dança desta quarta-feira também estão agendados o Dança Falada / Chá com Arte, às 16h, momento em que o artista detalha sua obra e também é ampliada a discussão para os caminhos da criação hoje. Participação de Cristina Moura, do Rio de Janeiro, na Compassos Cia de Danças (na Rua da Moeda). É também Cristina que encena o solo My mother naked, às 19h, no Teatro Apolo.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
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