segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Na imprensa (Diario de Pernambuco) >> Gesto mínimo, intensidade máxima



Festival // Companhia francesa recria ações do cotidiano em coreografia assinada pela lendária Maguy Marin

Tatiana Meira
tatianameira.pe@diariosassociados.com.br

Uma das características que mais atraíram o chileno Ulisses Alvarez a permanecer por vários anos no elenco da Companhia Maguy Marin, da França, foi a busca por novas soluções criativas. "Cada processo para chegarmos a uma obra é um desafio renovado. Maguy Marin sempre põe em questionamento as discussões deixadas no ar por seu projeto anterior. Existe um caminho lógico, mas não encontramos uma fórmula que se repete", garante o bailarino, que integra o grupo de dança há exatos 22 anos.

Considerada um ícone da dança, a coreógrafa Maguy Marin desta vez não pôde vir ao Brasil desta vez, quando sua companhia excursiona por cinco capitais. A turnê se inicia hoje, no 13º Festival Internacional de Dança do Recife, com Umwelt, que será encenado no Teatro de Santa Isabel, às 21h. O espetáculo causou polêmica na sua estréia, em dezembro de 2004, para depois ser alçado à categoria de obra-prima.

Embora reúna muitos elementos da dança, Umwelt - que significa algo como meio-ambiente ou o mundo que circunda, em alemão - não mostra os movimentos como estamos acostumados a entendê-los. Os nove bailarinos em cena realizam gestos mínimos do nosso cotidiano, como comer, abraçar alguém, vestir uma jaqueta, em poucos segundos. "Representamos ações humanas destacando a intensidade delas. Atuamos como um personagem naquela situação, escutando a sensibilidade do outro intérprete. Mas a composição coreográfica e a maneira como usamos o corpo está associada à dança", descreve Ulisses Alvarez.

Outro detalhe importante: espelhos são distribuídos pelo cenário e, para que seu efeito visual funcione a contento, é necessário acomodar a platéia no mesmo plano, onde todos os espectadores possam olhar para o palco em um ângulo horizontal. "Os espelhos fazem a coreografia ser muito rítmica visualmente. É preciso que o público fique no mesmo nível que os intérpretes, para não perder os efeitos visuais", reforça Ulisses, que assina a obra como colaborador de Maguy Marin - responsável, no entanto, pela palavra final sobre esse e os demais espetáculos do grupo.

Após Recife, Umwelt será vista pelo público de Fortaleza na Bienal internacional de dança do Ceará (De par em par); em São Paulo; no Festival Panorama de Dança, no Rio de Janeiro, e no Fórum Internacional de Dança (FID 2008), em Belo Horizonte.

Performance - Na programação da terça-feira também está agendada a performance Like an idiot, com criação, direção, coreografia e interpretação de Cristina Moura, do Rio de Janeiro. Às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Os ingressos custam R$ 5. Informações: 3232-2031 ou www.dancarecife.blogspot.com.

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