sábado, 18 de outubro de 2008

Entrevista >> Sérgio Ricardo Cavalcanti, Coordenador Geral da Associação Metropolitana de Hip-hop.


Entrevista a Nice Lima
Foto: Val Lima

Diversidade é uma das características do 13° Festival Internacional de Dança do Recife. Como forma de integrar ainda mais o público do Hip-hop, a Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco e o Coletivo Mangue Crew, em parceria com o 13° Festival Internacional de Dança do Recife, realizam, no dia 19 de outubro, no Parque 13 de maio, o torneio de dança de rua Ginga B.boy. O evento começa às 15 horas, é aberto ao público e representa uma iniciativa de inclusão social e valorização cultural da periferia. O coordenador geral da Associação Metropolitana de Hip-hop, Sérgio Ricardo Cavalcanti, em entrevista, fala sobre o movimento hip-hop e a importância de um espaço para o break no Festival Internacional de Dança do Recife.

Entrevista Sérgio Cavalcanti // "Hoje nós estamos muito mais organizados, muito mais maduros"

Qual é a situação do Movimento Hip-hop em Pernambuco?
É uma situação muito boa do ponto vista político-social. Isso tem alavancado o lado cultural que é, por excelência, o trabalho da cultura hip-hop. Algumas ONGs, desde 2000, têm nos apoiado através de projetos sociais e temos criado algumas instituições a exemplo da Associação Metropolitana de Hip-hop, surgida em março de 2004, que vem desenvolvendo trabalho em parceria com a Prefeitura do Recife. Exemplo dessa parceria é o Festival Internacional de Dança, em que nós temos o Torneio de B.boys e é um trabalho que visa fortalecer a auto-estima, a cidadania, sociabilidade e identidade da juventude afro-descendente. Hoje nós estamos muito mais organizados, muito mais maduros.

Quais são os elementos que formam o Movimento Cultural Hip-hop?
A dança de rua (break),o M.C, o Dj, o grafite e o quinto elemento nós podemos dizer que é o conhecimento, que é a espinha vertebral do movimento cultural, pois é ele que alicerça o debate político, fazendo com que os b.boys, grafiteiros, djs, mcs não se restrinjam apenas a praticar esses primeiros quatro elementos artísticos.

Qual é o perfil das pessoas que integram o movimento hip-hop?
A maioria delas são pessoas pobres, humildes, negras, que moram em periferia, mas hoje, o hip-hop está bem expandido no grande Recife, chegou ao interior também e está tendo alguma penetração na classe média. Os homens ainda são maioria no movimento.

O que tem levado essas pessoas a integrarem o movimento?
A busca de auto-estima, identidade e sociabilidade. O lado artístico chama a atenção dessas pessoas, e, a partir do momento em que elas passam a se envolver com os elementos artísticos, elas passam a ter auto-estima, a ter mais segurança de si quando elas vêem outras pessoas fazendo as mesmas coisas que eles fazem. Isso cria uma legião de pessoas que, a partir de uma identidade, passam a se relacionar.

Como é a organização do movimento na região metropolitana do Recife?
A associação é o agrupamento de mcs, grafiteiros, b.boys e djs, e militantes políticos. Esses últimos são pessoas que, muitas vezes, não praticam os quatro elementos, mas se doam ao movimento através de projetos sociais, através de articulações políticas, visando a inclusão social.

Quais foram as grandes conquistas dessa Associação?
Uma dessas conquistas é o Pólo Hip-hop, uma conquista via orçamento participativo. A outra foi a realização do Encontro Nordestino de Hip-hop, em 2006, quando nós conseguimos reunir os nove estados do Nordeste num debate político e de muita cultura. Também podemos citar a nossa participação nos fóruns de debates políticos a exemplo da Conferência Estadual de Políticas Públicas para a Juventude; e também a nossa interação com as ONGs e os movimentos que lutam pela inclusão social. Outra grande conquista é esse trabalho de parceria com o Festival Internacional de Dança do Recife que possibilita a participação do Hip-hop nesse grande evento, já pelo terceiro ano.

O que representa para o Movimento Hip-hop essa parceria com o Festival Internacional de Dança do Recife?
Primeiro representa a quebra de preconceitos contra a cultura popular, porque hip-hop é uma cultura popular contemporânea, e infelizmente, como acontece com outras manifestações da cultura popular, ainda é visto com preconceito. O Festival, a partir do momento em que dá espaço para o Hip-hop, está nos ajudando a quebrar o preconceito que existe contra o Hip-hop. O segundo ponto dessa parceria diz respeito ao fortalecimento da auto-estima da população afro-descendente, dos jovens que vêm da periferia, como também à inclusão social.

O que o público pode esperar do Torneio de B.boys nesse domingo?
A gente está se esforçando para fazer um grande espetáculo. A dança de rua é uma dança moderna, uma dança que envolve vários outros elementos de outras formas de dança a exemplo da capoeira, da ginástica olímpica, etc, e é algo muito bonito de se ver. Na disputa estão oito grupos formados por três dançarinos cada. Temos um júri formado por três pessoas que já têm, em média, vinte e cinco anos de dança de rua, são produtores culturais, representantes de equipes de dança de rua conhecidas no Brasil. Estamos tranqüilos em relação ao corpo de jurados que é formado por pessoas preparadas que vão vir não apenas para ser jurados, mas também para abrilhantar o evento.

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